PELE SENSÍVEL É BEM COMUM E POUCO DIAGNOSTICADA

Coceira, vermelhidão, ardência, descamação e até dor. Certas irritações de pele tem tendência a ocorrer ao longo de nossas vidas e os motivos são diversos – temperaturas extremas (frio e calor), sol, vento, poluição, maquiagem, uso de produtos inapropriados e por aí vai. No entanto, uma coisa é fato: pessoas com pele sensível certamente passam por essas situações com mais frequência e, muitas vezes, não sabem o motivo.

Conforme explica a médica dermatologista Letícia Bortolini, a pele sensível é mais comum do que se imagina. “É aquela que qualquer produto vai irritar, sensibilizar e/ou coçar. A pele sensível chega a ficar dolorida. Costuma ser uma pele mais branquinha, que também fica rosada em caso de irritação. Mas, ela costuma ser a mais difícil de diagnosticar. Até porque as pessoas não costumam nem ter muito conhecimento a respeito dela”, comenta.

Letícia Bortolini reforça que, normalmente, quem sabe que tem a pele sensível já procurou um profissional da área. “Às vezes, passou por um ou dois dermatologistas, foi diagnosticado incorretamente ou foi diagnosticado como rosácea – que, seja em grau mais leve ou mais grave, deixa a pele sensível. Inclusive, muitas pessoas se perguntam: ‘como que a pele é sensível e tem óleo e acne?’. A questão é que a rosácea dá acne”, ressalta.

A médica dermatologista reforça que, mais vulnerável a agentes externos, a pele sensível exige cuidados e atenção. “Procure um especialista se sentir dor, coceira ou sensibilidade. Evite ficar testando produtos em casa. Ao fazer isso, você corre o risco de passar produtos e medicamentos não indicados – como, por exemplo, corticoide, que não deve ser usado no rosto. Muitas vezes, as pessoas preferem acreditar que é alergia do que sensibilidade”, aconselha.

Letícia Bortolini complementa que a utilização de itens não prescritos pode causar danos maiores. “Tem casos em que o paciente está com algo mais alérgico, o que fez com que sentisse uma sensibilidade, e passa uma pomada que melhoram os sintomas de ardência e coceira, mas podem causar queimadura se a pessoa se expuser ao sol”, alerta.

TIPOS DE PELE – A médica dermatologista pondera que, para eleger o tratamento adequado, é preciso saber qual o seu tipo de pele. “Costumamos falar sobre esses tipos: seca, oleosa, mista e sensível. Mas, isto é apenas uma forma de orientar uma maior margem de pessoas. Os tipos de pele não obedecem esses critérios apenas. É tudo muito individual. Varia de cada um. O ideal é procurar um especialista”, enfatiza.

Apesar de singular, Letícia Bortolini cita alguns pontos que podem auxiliar no processo de identificação e rotina de cuidados diários. “Se a pele é mais seca, ela não irá produzir oleosidade e brilhar. A pessoa terá a sensação de aspereza mesmo. Quem tiver a pele mais seca, terá que usar produtos hidratantes – desde o sabonete”, comenta.

No caso da pele oleosa, ela explica que o desafio está em identificar se existe uma oleosidade excessiva ou suor. “É o tipo de pele mais comum. Geralmente, quem tem muita oleosidade no rosto também tem no couro cabeludo. Logo, essa pessoa terá que usar produtos para diminuir essa oleosidade – de sabonetes até cremes para ajudar a glândula a produzir menos sebo”, esclarece.

Outra pele apontada pela médica é a mista. “Ela é aquela que nós chamamos de Zona-T (testa, nariz e queixo), região que costuma produzir mais óleo. Vale ressaltar que toda pele sensível pode apresentar características que também permeiam a mista, a seca e a oleosa. Neste caso, os cuidados personalizados irão utilizar produtos relacionados, mas menos agressivos”, elucida.     

Letícia Bortolini sinaliza ainda que cada caso deve ser avaliado com atenção. “Se for adolescente com acne, por exemplo, sabemos que o sebo é produzido em quantidade e qualidade anormais. Então, temos que tentar controlar tudo isso. Se é uma mulher produzindo muita oleosidade, temos que checar a questão hormonal – endócrina”, frisa.